Veículos de comunicação lançam selo de credibilidade em Manaus

Um grupo de 15 jornalistas donos de sites se reuniu para criar um selo de combate à desinformação. A medida reflete uma angústia com a falta de credibilidade que atingiu a imprensa brasileira e que causa impacto também no contexto da informação em Manaus.


Fazem parte do grupo os veículos: Revista Cenarium, Manaus 360º, Blog do Mário Adolfo, Blog do Hiel Levi, Portal Único, Amazonas Atual, Fato Amazônico, Portal Pontual, Portal O Poder, Amazonas1, Portal da Marcela Rosa, Portal do Marcos Santos, Real Time 1, BNC e Portal Flagrante.


Agora, cada um dos veículos tem a marca “É fato! Jornalismo profissional com responsabilidade” em suas páginas. Dessa forma, os leitores sabem que as empresas estão comprometidas com a verdade.




"A ideia é diferenciar os veículos que produzem informação com responsabilidade daqueles que são focados apenas em conquistar audiência por meios anti-éticos e sem compromisso com a checagem. É a forma que os empreendedores encontraram de prestar um serviço à sociedade e ao mesmo tempo engajarem-se na campanha que começa a tomar corpo no país, de combate às chamadas fake-news", diz o grupo, em comunicado.


Isso é um começo, mas é preciso outras ações. Um exemplo de iniciativa similar, porém mais articulada, é o The Trust Project, ou Projeto Credibilidade. O projeto criou oito indicadores de confiança que veículos noticiosos devem estabelecer na produção de seus conteúdos.


No Brasil, 11 veículos fazem parte da iniciativa: Agência Lupa, Amazônia Real, A Gazeta, GaúchaZH, Ponte Jornalismo, Agência Mural, Jornal do Commercio, Nexo, Poder 360 e O Povo. De todos, apenas a Amazônia Real é um veículo nortista.


Os oito indicadores incluem: melhores práticas, experiência de jornalista, tipo de trabalho, citações e referências, métodos, fonte local, diversas vozes e feedback acionável. Em cada um deles, os veículos devem responder perguntas aos leitores como “Quem financia o site? Qual é a sua missão?” ou “Quem escreveu esse texto? As fontes ouvidas conhecem a comunidade?”.


Os indicadores impõem que os veículos de fato cumpram a transparência e respeitem as técnicas e a ética jornalística. Isso é importante para que a credibilidade ocorra. Não basta, portanto, criar um selo. É necessário estar comprometido e ensinar ao leitor o que é o jornalismo e qual a importância desse trabalho para a manutenção da democracia.


Ensinar as diferenças entre uma reportagem, um editorial, um texto opinativo ou quais as características da desinformação. Principalmente como esses veículos são financiados e de que forma isso atinge as linhas editoriais de cada um.


Essa contribuição a Abaré também espera fazer no próximo ano, com a esperança de que o avanço da vacinação em Manaus possibilite oficinas presenciais em escolas, igrejas e comunidades periféricas na cidade. É bom perceber o interesse dos veículos de comunicação para esse combate, mas é uma causa que precisa ser articulada em rede, com apoio de todos e interesses sérios pelo jornalismo.


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