top of page

O futuro da Amazônia também está nas urnas

há 11 minutos
3 min de leitura

As eleições de 2026 definem mais do que representantes: colocam em disputa os rumos da democracia e a capacidade do Brasil de enfrentar a crise climática


Trabalhador se protege do sol, na Feira da Manaus Moderna, em Manaus Foto: Rafael Ramos/ Tipiti
Trabalhador se protege do sol, na Feira da Manaus Moderna, em Manaus Foto: Rafael Ramos/ Tipiti

As eleições gerais de 2026 que se avizinham têm um significado que ultrapassa a escolha de quem ocupará a Presidência da República ou as cadeiras do Congresso Nacional e que, por vezes, figura como secundário na cobertura jornalística hegemônica. O que estará em disputa é o futuro da democracia brasileira e a capacidade do país de responder à maior crise do nosso tempo: a crise climática.


Muito além de um patrimônio nacional ou de uma riqueza natural, a Amazônia é um território vivo, habitado por milhões de pessoas que, há séculos, produzem conhecimentos fundamentais para a conservação da floresta e para o equilíbrio climático do planeta. As decisões tomadas em Brasília repercutem diretamente sobre a vida dessas pessoas e, da mesma forma, o que acontece na Amazônia impacta todo o Brasil. O destino da Amazônia é, ou deveria ser, uma questão de prioridade nacional e global.


Ao sediar a conferência climática das Nações Unidas em Belém, o Brasil assumiu, diante do mundo, o compromisso de liderar soluções para enfrentar a emergência climática. Mas a verdadeira medida desse compromisso é aferida pelas decisões tomadas depois que os holofotes se apagam.


É preciso decidir se os compromissos assumidos se transformarão em leis, orçamento e políticas públicas capazes de fortalecer a proteção ambiental, garantir direitos territoriais, assegurar financiamento para adaptação climática das comunidades e promover uma transição ecológica justa. A decisão também pode ser em sentido contrário, aprovando medidas que flexibilizem o licenciamento ambiental, enfraqueçam órgãos de fiscalização, ampliem a exploração predatória dos recursos naturais ou reduzam direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais.


Essa decisão começa neste domingo, 4 de outubro, quando iremos às urnas para escolher quem nos representará nos espaços legislativos e no Executivo, nos níveis estadual e federal. Serão seis votos que carregam, em uma porção de números, o peso do país que sonhamos.


A Amazônia depende da proteção constitucional dos territórios indígenas, quilombolas e das unidades de conservação. Depende de instituições públicas fortes, de órgãos ambientais estruturados, de participação social, de ciência, de universidades públicas e de liberdade para que jornalistas, pesquisadores, comunicadores populares e lideranças comunitárias possam denunciar violações e informar a sociedade. Toda vez que a democracia é enfraquecida, o território também é.

Por isso, as eleições de 2026 exigem um olhar atento para além da disputa presidencial. Será fundamental escolher deputadas, deputados, senadoras e senadores comprometidos com a defesa dos territórios amazônicos, da democracia e dos direitos humanos. Candidaturas que compreendam que enfrentar a crise climática exige proteger a floresta em pé e garantir os direitos de quem historicamente a conserva.


Isso significa observar quais candidaturas defendem os direitos das mulheres, das pessoas negras, dos povos indígenas, das populações ribeirinhas, quilombolas, extrativistas, das pessoas LGBTQIA+, das trabalhadoras e dos trabalhadores. Significa escolher representantes comprometidos com uma educação pública, gratuita e de qualidade, com a ciência, com a comunicação democrática e com políticas que reduzam desigualdades, em vez de aprofundá-las.


Nós, o povo, estaremos no centro das decisões tomadas nas urnas em 2026, ainda que muitas campanhas tentem deslocar esse debate para temas mais imediatos. Nosso voto definirá não apenas quem governará o país, mas qual projeto de desenvolvimento prevalecerá: um modelo baseado na destruição dos bens comuns e na concentração de poder ou um projeto que reconheça a floresta, seus povos e seus territórios como elementos essenciais para a democracia, para a justiça climática e para o futuro do Brasil.


O futuro da Amazônia é o futuro da democracia brasileira. E o futuro da democracia brasileira depende das escolhas que fazemos. Que nossas escolhas apontem o rumo de um país mais justo e inclusivo para todas as pessoas, sobretudo para quem vive para sustentar o céu.



Comentários


bottom of page